Contra a Liberdade Política – Mencius Moldbug
Tenho certeza que ainda há alguns leitores do UR que acreditam na democracia.
(Eu deveria ser um generalista, e não me passou desapercebido que eu tenho me concentrado excessivamente me concentrado nesse ponto específico da pinhata. É difícil e pode levar mais algumas pancadas. Então nós nos moveremos para coisas mais divertidas. Se você já se sente convencido, se você já está pronto para abrir a janela, colocar sua cabeça fora e gritar como Peter Finch em Network [em seu grito, por favor, assegure-se de incluir o URL completo – se você só gritar “UR!”, eles provavelmente não entenderão], você fez o suficiente e pode pular essa.)
Vamos chamar qualquer um que acredita na democracia, um demotista. Um demotista é só qualquer um que tem uma associação positiva com o composto de demos e kratos. Ele ou ela acha que a democracia num geral, se não necessariamente todo uso específico ao qual esse termo vago e antigo já se atribuiu, é basicamente uma coisa boa.
Provavelmente então um antidemotista seria alguém que desacredita na democracia, que pensa que a democracia em geral é basicamente uma coisa ruim. Um antidemotista pode usar a palavra demotista do mesmo jeito que alguns demotistas parecem chamam qualquer um que eles não gostam de fascista.
Você pode imaginar uma sociedade do século XXI pós-demotista? Uma que vê a si mesmo se recuperando da democracia, assim como a Europa Oriental se vê se recuperando do comunismo? Bom, eu suponho que isso faça você um dos nossos.
O problema óbvio para qualquer mundo antidemotista possível é explicar o século XX, no qual a democracia liberal universalista lutou e venceu o fascismo e o comunismo. (Veja meu último post.) A não ser que você seja um nazi ou um comunista, você tem que explicar como a democracia pode ser ruim, mas a vitória da democracia sobre a não-democracia pode ser boa.
Como eu expliquei, minha resposta para todos esses três contendores eram brotos do ramo do movimento democrático do século XIX. Todos reverenciavam o povo, todos concebiam uma doutrina na qual o estado representa, simboliza, ou caso contrário é identificado com o povo, e todos atribuíram grande importância à opinião pública e fizeram grandes esforços para gerenciá-la.
Pegando emprestado o método cladístico da taxonomia biológica, assim como um humano, um gorila e um chimpanzé são igualmente relacionados (ou não relacionados) a um babuíno, universalismo, fascismo e comunismo são igualmente relacionados (ou não relacionados) ao monarquismo. Assim como um humano pode achar um gorila ou um chimpanzé vagamente parecidos com babuínos, um universalista está propenso a pensar que as ditaduras fascistas ou comunistas são de alguma forma parecidas com monarquias. Mas para um babuíno, um macaco é um macaco, e a biologia apoia essa afirmação.
O babuíno, portanto, está perfeitamente dentro de seu direito de generalizar todo o clado dos macacos. Ele nota que a tendência geral dos macacos para matar, desmembrar, e abusar de macacos de outra forma. Não são todos os macacos que são macacos ruins, ele irá alegremente admitir. De fato, ele está bastante interessado em saber como distinguir um macaco bom de um macaco ruim. Mas a proposição geral que macacos são perigosos e assustadores lhe parece bastante incontroversa.
Eu não sou um babuíno nem um monarquista.1 No entanto, quando olhamos para a surpreendente violência da era democrática, parece-me um pouco defensável simplesmente descartar toda a ideia como um desastre, e focar em corrigir os muitos erros da monarquia. Certamente, é difícil imaginar como a Guerra Civil, WWI, WWII, o Holocausto, etc., poderiam ocorrer em um mundo onde os Stuarts, Bourbons, Hohenzollerns, Habsburgos e Romanovs ainda reinavam e governavam. A família real da Europa antiga tiveram suas brigas, mas serviço militar obrigatório, guerra total e assassinato em massa não estavam em seus manuais.
Então deixe-me cunhar outro nome para o formalismo2, e chamá-lo de neocameralismo. Essa palavra é usada principalmente por causa da virgindade no Google, mas também deveria ser um remanescente do cameralismo, a filosofia de governo do Frederico, o Grande, cujo Anti-Maquiavel3 é uma ótima leitura para qualquer um que esteja se perguntando o que deu errado nos séculos XIX e XX. (Claro, se você é um demotista, talvez você não pense que nada deu errado.)
O insight básico do cameralismo era que estados bem governados tendiam a ser prósperos. Isso era associado com uma variedade de teorias econômicas primitivas, tais como mercantilismo, que provavelmente é melhor descartá-las.4 E o cameralismo foi, com certeza, associado ao monarquismo, cujo caprichos biológicos são infames. Um negócio familiar é uma boa ideia se seu negócio é uma loja de esquina ou uma oficina. Se você tem um continente para administrar, você quer profissionais.
Para um neocameralista, um estado é um negócio que tem um país. Um estado deve ser gerido, como qualquer outro grande negócio, dividindo a propriedade lógica entre ações negociáveis, cada uma das quais rende uma fração precisa do lucro do estado. (Um estado bem administrado é bastante lucrativo.) Cada ação tem um voto, e os acionistas elegem um conselho, que contrata e demite gestores.
Os clientes desse negócio são seus residentes. Um estado neocameralista administrado de forma rentável, como qualquer outro negócio, servirá seus clientes eficientemente e efetivamente. Má governo é igual a má gestão.
Por exemplo, um estado neocameralista trabalhará duro para manter qualquer promessa feita aos seus residentes. Não porque algum tipo de autoridade ainda mais poderosa o force a isso, mas porque é bastante agradável e tranquilizador viver em um país onde o governo é confiável, e é assustador e horrível viver em um país onde ele não é. Como a confiança, uma vez quebrada, leva muito tempo para ser reconstruída, um estado que acabou de quebrar suas próprias leis acabou de dar ao seu capital um corte substancial. É quase certo que suas ações cairão.
Suponha, por exemplo, que nosso estado neocameralista arrecade todo sua receita com um imposto de propriedade, à la Henry George. Um jeito fácil de executar um regime de imposto sobre a propriedade é um registro de autoavaliação: cada proprietário imobiliário lista e atualiza um preço de reserva para cada propriedade, e qualquer um pode comprar a esse preço. Se o proprietário deixa o preço alto demais, eles pagarão muita taxa. Se ele deixarem muito baixo, a propriedade será arrebatada. Esse sistema é fácil de administrar, sua curva de Laffer parece ser fácil de mapear, e o pico da curva deve ser um pouco alto.
É fácil avaliar estado de imposto único como uma empresa. O valor da corporação é uma função de sua taxa de imposto e do valor total de seus imóveis. Assumindo que as taxas de imposto são fixadas por contrato, o incetivo do estado neocameralista é simplesmente maximizar os preços dos imóveis. Qualquer política que o torne um lugar menos agradável de se viver ou trabalhar é claramente contraindicada.
Imaginando, portanto, que a Prússia de Hohenzollern de algum jeito falhou e se degenerou em um militarismo nacionalista quase-democrático, mas em vez disso listou ações em Londres – ou imagine a Singapura, Dubai, ou Hong Kong do século XXI poderiam de alguma forma fazer uma OPI – podemos examinar o período demotista a partir do nosso seguro, se imaginário, futuro neocameralista.
Claramente, as piores formas de demotismo, os macacos realmente ruins, eram os regimes totalitários – fascismo e comunismo. A diferença principal entre o fascismo e o comunismo não estavam no mecanismo, mas na origem – as elites fascistas tendiam a ser militares, as elites comunistas, intelectuais. Mas o estado de partido único é um claro caso de evolução convergente.
Para um neocameralista, o totalitarismo é a democracia em sua forma mais completa e maligna. A democracia nem sempre se deteriora para o totalitarismo, e acender um cigarro numa bomba de gasolina nem sempre te envolve em uma bola de fogo. Muitas pessoas com câncer vivem por um longo tempo ou morrem de alguma outra coisa. Isso não significa que você deva fumar metade da Virginia antes do almoço.
Um partido político é um partido político. É um grande grupo de pessoas aliadas pelo propósito de tomar e exercer poder. Se ele escolher não armar seus seguidores, isso ocorre só porque ele considera seguidores desarmados mais úteis do que os armados. Se ele escolher estratégias menos efetivas por pena moral, ele será superado por um partido com menos íntegro.
Quando um partido ganha controle total do estado, ele ganha uma massiva fonte de renda que pode entreter inteiramente seus apoiadores. O resultado é uma estrutura administrativa informal clássica, cujo trabalhos devem ficar claros para qualquer um que viu alguns episódios do The Sopranos. Sem uma estrutura de propriedade formal, na qual toda a renda de toda a empresa é coletada e distribuída centralmente, o dinheiro e outros bens vazam de todos os poros.
Estados totalitários são gangsters, em outras palavras, e eles tendem à corrupção e à má administração. O culto de personalidade da ditadura é bastante enganoso – um ditador totalitário tem pouco a ver com um CEO neocameralista, ou mesmo um monarquista cameralista.
A diferença é a estrutura administrativa. O CEO e o monarca devem suas posições a uma lei a qual todos podem obedecer, e aqueles que escolhem obedecer à lei são naturalmente uma coalizão vencedora contra aqueles que decidem quebrá-la. A posição do ditador é o resultado da sua primazia em uma pirâmide de criminosos. Essa estrutura é naturalmente instável. Sempre há algum outro gangster que quer seu trabalho. Ditadores, assim como chefes de máfia, não são bons em morrer naturalmente.
A violência interna e externa típica dos estados totalitários é melhor explicada, eu acho, por essa má administração embutida. Ditadores são violentos porque eles tem que ser – eles usam a violência como um princípio organizacional. O estado totalitário não tem um princípio de legitimidade que tornaria impraticável para um subordinado ambicioso capturar o estado com um golpe. Monarcas europeus fizeram guerras, algumas vezes eles eram assassinados, e houve até lutas de sucessão, mas golpes sentido atual eram bem raros.
Note que a lógica financeira que mantém o estado neocameralista legítimo não se aplica de forma alguma ao estado totalitário, porque o último não tem uma estrutura administrativa estável que é controlada por seus acionistas. Ilegalidade não é lucrativa para o estado como um todo, mas pode ser bastante lucrativa para a parte que escolhe a ilegalidade, e no estado totalitário ninguém esta contando como um todo.
Similarmente, somente o controle dos acionistas dá ao estado neocameralista um incentivo para continuar pequeno e eficiente. O estado totalitário tem um incentivo para se tornar grande e ineficiente, porque todo funcionário tem um incentivo para expandir seu próprio departamento, e nenhum contador que demande que o departamento faça mais com menos.
Em um estado totalitário, dado que nenhum gangster está permanentemente seguro de outro gangster, há um incentivo para qualquer com poder pegar o que ele puder, enquanto ele puder. E não há desincentivo para ele evitar abusar de um recurso cujo ele nem seus aliados se beneficiam. Sob a administração dos gangsters, os estados totalitários frequentemente engajam não só em assassinatos em massas, mas assassinatos em massa de seus cidadãos mais economicamente produtivos.
Pode parecer estranho que um estado com dois partidos seria muito melhor que um de partido único. Mas na verdade faz muito sentido.
Estados de bipartidários ou multipartidários têm sucesso porque nenhum dos partidos pode redirecionar a renda estatal abertamente para seu próprio bolso. Eles têm um incentivo para se comprometer e muitas vezes se comprometem com algum tipo de administração profissional. O resultado, embora ainda seja afetado pela tensão partidarista, pode se aproximar de algo como o estado de direito.
Infelizmente, estados com dois partidos têm vários caminhos pelos quais eles podem se degenerar em um partido único. Por exemplo, um partido pode usar o poder do governo para marginalizar e destruir seus competidores. Mas isso não significa que esse seja o único desastre possível.
Talvez o maior perigo seja que as estruturas partidárias se formem em departamentos de serviços públicos que são nominalmente apartidários. Se você pensa nos jornalistas ocidentais como um partido político, por exemplo, você nota que eles se encaixam muito bem na descrição. Certamente o treinamento deles é muito mais próximo da doutrinação dos quadros. Eu argumentaria que o Polígono inteiro é essencialmente um estado de partido único embrionário, embora nos Estados Unidos, pelo menos, ele ainda tenha que ser moderado em seus ataques ao sistema político antigo. No entanto, os esboços de um estado “pós-partidário” já estão claros, especialmente na Europa, e no mínimo não é neocameralista.
Tudo isso é fácil de dizer. No entanto, todos nós crescemos sabendo que a democracia é o melhor de todos os sistemas de governança, e é necessário uma grande quantidade de razões razoáveis para que nosso profundo carinho sequer comece a ceder. Então deixe-me bater de novo enquanto a pinhata ainda está girando, e atacar a ideia de “liberdade política.”
Liberdade política é a liberdade de engajar em atos cujo propósito não são satisfação direta, mas satisfação indireta obtida ao influenciar a política governamental. Quando você vota, se manifesta, imprime panfletos clandestinos, etc., você está engajando em atos de liberdade política. Você faz essas coisas unicamente porque você acredita que eles têm algum efeito político.
Liberdade pessoal é a liberdade de engajar em atos que satisfazem você diretamente, e não infringem os direitos de outros. Por exemplo, outro dia eu citei Navrozov citando Hobbes, que lista as seguintes liberdades pessoais:
de comprar e vender, ou de outro modo realizar contratos mútuos; de cada um escolher a sua residência, a sua alimentação, a sua profissão, e instruir os seus fIlhos conforme achar melhor, e coisas semelhantes.5
Note que a democracia tende a fazer um trabalho péssimo de respeitar essas liberdades hobbesianas. As únicas duas que ainda são normalmente respeitadas são a residência e profissão – as democracias universalistas, pelo menos, não designam aos seus cidadãos casas ou trabalhos. Eles são massivamente obcecado com a regulação da compra, venda e contratação, gerenciam enormes programas de educação oficial, e têm suas leis alimentares.
Além disso, há alguns candidatos óbvios “do gênero” na sociedade moderna. Por exemplo, alguém pode ter a liberdade medicinal – absoluta propriedade de seu corpo, e o direito de escolher quais especialistas ajudarão você a manter isso, ou quais químicos, dispositivos, ou procedimentos eles podem usar. Ou liberdade de associação – o direito absoluto de escolher com quem você trabalha e se diverte, quando e por quê. Ou liberdade financeira – o direito absoluto de gerenciar sua própria propriedade e dispor dela como achar melhor.
Se um estado neocameralista tem alguma razão para infringir as liberdades de seus clientes nessas áreas, eu não consigo imaginar qual seria. Sendo que nossos governos democráticos estão constantemente infringindo elas de quase toda forma imaginável, por razões que parecem estar enraizadas simplesmente na produção e manutenção de pessoas empregadas.
Claro, se você tem liberdade política, você pode usá-la para se mobilizar para a liberdade pessoal. Então o catecismo demotista diz, liberdade política é na realidade o tipo mais importante de liberdade, porque se você tem liberdade política e pessoas o suficiente que concordem com você, você pode ter o que quiser – incluindo liberdade pessoal. E se você não pode convencer as pessoas, bom, você provavelmente estava errado em primeiro lugar.
E a liberdade política também pode te providenciar outros brindes. Tais como, por exemplo, uma parte desse fluxo de receita delicioso que o estado está constantemente produzindo. Ou vários benefícios comprados com isso.
Talvez eu não estou apresentando o caso para a liberdade política com eloquência o suficiente, porque esses argumentos me parecem bastante fracos. Se políticas são boas porque você poder usá-la para alcançar liberdade pessoal, não se trata de usar a política em vez de outros métodos, que parecem muito mais eficazes, de produzir liberdade pessoal.
E o uso de políticas para se beneficiar é simplesmente extorsão ilegal. Aqui nós vemos a natureza essencialmente paramilitar da democracia. Quando você usa o poder para monopolizar alguns recursos escassos, na ausência de uma lei que atribua um proprietário ao recurso, você inevitavelmente está lutando contra outros que usarão poderes eles mesmos. Isso pode ser uma guerra extremamente limitada, mas, ainda é guerra.
Na divisa entre liberdade pessoal e política estão as liberdades como liberdade de imprensa, que podem ser definidas como liberdade pessoais, mas que como tais afetam relativamente algumas pessoas em um jeito relativamente menor. Poucas pessoas são intelectuais que gostam de escrever para o público – há provavelmente mais windsurfistas, por exemplo, no mundo. Banir wirdsurf seria um custo pessoal para aqueles que gostam de windsurf, mas nada demais para outros.
Claro, infringir a liberdade de imprensa fere a liberdade daqueles que gostam de ler – um grupo bem maior, embora ainda dificilmente a maioria. Mas suponha que a liberdade de imprensa é infringida unicamente em questões políticas? Ou unicamente questões triviais? Por exemplo, suponha que é ilegal insultar o rei, assim como é na Tailândia?
Quando eu comparo a liberdade medicinal, por exemplo, à liberdade de publicação política, não posso evitar, mas sinto que a primeira é bem mais importante. Eu estou louco? Talvez eu esteja louco. Se estou, talvez alguém vai escrever e me falar.
Esse assunto surge, como você vê, por causa da existência de estados quase-neocameralistas como Singapura e Dubai. Eu linkei anteriormente a essa discussão um blog univeralista bastante ortodoxo (Unfogged) de Singapura – é interessante como universalistas podem manter suas convicções mesmo vivendo em um lugar cuja existência contradiz eles. A contradição se torna outra prova de fé. Outro caso de exceção sem princípios de Auster, eu suponho.
Singapura e Dubai não são paraísos neocameralistas. Eles são certamente muito bem administrados na maioria dos sentidos, mas eles também são extremamente consciente de viver em um mundo político. Singapura em particular emergiu de uma política de rua pós-colonial muito nojenta – o partido comandante ainda é chamado de Partido de Ação Popular. Eu realmente não posso pensar em um nome mais aterrorizante.
E por isso Singapura em particular trabalha muito duro, e muito notoriamente, para suprimir a política e liberdade política. Meu entendimento – talvez alguém consiga me corrigir – é que quase todo mundo em Singapura não tem interesse algum em políticas anti-governamentais, que as pessoas realmente são genuinamente felizes em simplesmente pensar sobre suas próprias vidas.
Mas para um singapureano, se envolver com políticas anti-governamentais tem aproximadamente o mesmo resultado que o envolvimento de um racista ou outro extremista político tem para um americano. É simplesmente politicamente incorreto na Singapura falar coisas ruins sobre o governo, assim como é politicamente incorreto aqui falar coisas ruins sobre minorias protegidas. No mínimo é um faux pax social, no máximo pode custar seu emprego.
Eu acho difícil, claro, endossar o politicamente correto. Isso é porque eu sou um intelectual e eu tenho problemas em manter minha boca fechada. Eu tenho problemas o suficiente com a versão americana da doutrina.
Mas eu concordo com Hobbes em uma coisa: um governo não é um governo a não ser que ele tome todas as medidas necessárias para se preservar. Não é fisicamente viável prender e processar todo soldado de um exército invasor. O mesmo se aplica para movimentos domésticos “militantes”. Um estado que não tem poder de banir organizações políticas está se deixando aberto para movimentos político-militares vinculados, como o Sinn Fein e o IRA – um convite aberto para qualquer partido político crescer uma ala paramilitar. Na Alemanha de Weimar, mesmo os social-democratas tinham seu próprio equivalente à SA.
Se consideramos a suspensão de liberdade política por essa visão, Singapura está simplesmente se protegendo dos estragos da democracia – que certamente afligiram ela na história recente. É difícil criticar o Partido de Ação Popular por isso. Mas eu espero que haja um exemplo moderno melhor da máxima de Bismarck em relação à imprensa: “Eles dizem o que querem, eu faço o que quero”.
No meu estado neocameralista ideal, não há liberdade política porque não há política. Talvez o governo tenha uma caixa de comentários onde você pode expressar sua opinião. Talvez ele faça pesquisas com clientes e até mesmo enquetes. Mas não há organização e não há motivo para organizar, porque nenhuma combinação dos residentes pode influenciar a política governamental por coerção.
E precisamente por causa dessa estabilidade, você pode pensar, falar, ou escrever o que você quiser. Porque o estado não se preocupa mais. Sua liberdade de pensamento, fala, e expressão não é mais uma liberdade política. É unicamente uma liberdade pessoal.
Notas Finais:
Artigo: https://www.unqualified-reservations.org/2007/08/against-political-freedom/
Embora Moldbug rejeite o rótulo “monarquista”, isso é principalmente por causa de seu significado moderno, que tipicamente se refere a um apoiador da monarquia constitucional (simbólica). Em “From Mises to Carlyle”, Moldbug se descreve como um realista, que essencialmente significa um apoiador da monarquia absolutista ou por “direito divino”. Veja “Divine-right monarchy for the modern secular intellectual” e Patchwork: A Political System for the 21st Century para mais informação.↩
Tradução disponível aqui: https://www.unqualified-reservations.org/archive/formalist_manifesto_pt.pdf. [N.T.]↩
Tradução disponível aqui: https://pt.annas-archive.org/md5/ac4b2193d985caac533fa18c5e1a3c22. [N.T.]↩
Moldbug depois repensou sua posição no mercantilismo; como ele coloca em “Sam Altman is not a blithering idiot”: "Mas, na verdade, eu sou um mercantilista, e tudo o que sei de economia eu aprendi lendo Friedrich List. Bom, ele e Mises. Parceiros estranhos, eu sei. Mas eu acredito de verdade que não há nada em (para usar seu antigo nome) economia política que esteja fora da filosofia desses dois excelentes cavalheiros teutônicos, embora fossem opostos."↩
Tradução usada disponível aqui: https://marcosfabionuva.com/wp-content/uploads/2011/08/leviatc3a3.pdf. [N.T.]↩