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Criticando o liberalismo: uma voz intrigante do passado – Stuart Major

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A confiança em nossas instituições despencou. A suposta unidade “do público” fraturou à medida que a lealdade a grupos "identitários" substitui a fidelidade civil e nacional. A oposição genuína (onde exista) é perseguida, manifestações populares são suprimidas, todas em nome "da lei". As elites abertamente desprezam a classe média e trabalhadora; seus ativistas representantes alimentam um clima degradante de autocensura.

Não era para ser assim. A tradição liberal ocidental foi fundada em conceitos sagrados, semeados na Inglaterra do século XVII antes de florescerem no Iluminismo. O contrato social, a soberania do povo, o "bem público" – essas coisas asseguraram sua hegemonia contínua. Quando a União Soviética colapsou, nós complacentemente proclamamos o "fim da história".

Processando nossa crise atual, alguns invocam os declínios cíclicos civilizacionais, outros as predações do globalismo e mudança demográfica, ou os efeitos corrosivos do conforto material e da secularização. Cada caso tem seus pontos fortes. Raramente, no entanto, as extravagantes alegações do liberalismo ocidental em si são interrogadas. Mas e se o nosso dilema não for apesar de nosso alardeado modelo político, mas por causa dele? E se o liberalismo sempre esteve condenado a implodir?

Karl Ludwig von Haller (1768–1854), um jurista, estadista e filósofo político suíço, colocou essas questões de mudança de paradigma. Seu Restoration of Political Science (Vol. 1) acabou de ser publicado pela Imperium Press, traduzido (pela primeira vez em inglês) e com uma bela introdução por Jack Vien. Haller habilmente critica as asserções dos primeiros liberais prosélitos tais como Voltaire e Rousseau. E ele postula uma teoria política alternativa que desperta interesse entre a direita dissidente atual: o patrimonialismo.

Um texto-chave do contrailuminismo, a Restoration defende a artificialidade do estado liberal. Longe de ser dos "Direitos Naturais dos Homens", a autoridade política deriva da propriedade. Estados foram originalmente formados, Haller alega, através de homens superiores, aristocratas naturais, adquirindo recursos e assim atraindo seguidores que livremente se submetiam a sua autoridade. Com o tempo, eles se tornaram príncipes soberanos; mas seus poderes permaneceram pessoais, emanando organicamente de redes de interdependência e clientelismo, com sua própria casa como modelo.

Nessa visão, o estado liberal, abstratamente inventado por tecnocratas, foi sobreposto nos sistemas sociais preexistentes. Além disso, a igualdade de direitos políticos, consagrada na "soberania popular", eventualmente se transformou em igualdade de direitos de propriedades; a redistribuição de recursos se tornou necessária para manter a "democracia" na estrada. Portanto, a deriva em direção ao coletivismo e a nacionalização nos estados liberais é internamente coerente, não uma aberração.

A sociedade não compreende pessoas "iguais"; tampouco podemos ou devemos ser tornados iguais. Todos nós temos um talento diferente. Sendo animais sociais, isso é desejável, já que isso nutre laços de bondade e gentileza mútua. Se não fosse pela desigualdade, nós não precisaríamos uns dos outros como precisamos. Na vida real, esses laços benéficos se manifestam o tempo todo, de grande organizações com muitos empregados até a unidade familiar. Na raiz, essas são variações da condição natural de senhorio e dependência. Nesse sentido, diz Haller, "sempre há um estado". Mas o estado liberal, com sua vasta maquinaria administrativa e desprovido de qualquer carisma pessoal, arroga toda a legitimidade para si mesmo, reconhecendo somente uma relação política: nós comandamos, você obedece.

E quanto à ascensão do déspota em um sistema patrimonial? Para Haller, não é de forma alguma inevitável, como os propagandistas liberais diriam. Primeiro, o interesse principesco milita contra isso: os homem que ele governa o superam em número; eles podem se voltar contra ele a qualquer momento. Porém mais que isso, um líder forte exercendo obrigações nobrezas não tem o desejo de violar os contratos recíproco que ele tem com seus súditos. Aqueles que o fazem somente demonstram sua fraqueza e falta de superioridade pessoal.

A crítica penetrante de Haller ao liberalismo e ao remédio do patrimonialismo torna sua leitura desafiadora; para dar créditos a ele, é necessário superar crenças há muito nutridas. Seu antídoto é questionável: mesmo se quiséssemos, como recuperaríamos um senso feudal de poder pessoal? Mesmo assim, muitos leitores irão achar esse livro revelador e, mesmo no exercício literário, ele estimulará um debate saudável. Nos anos recentes, nós chegamos a perceber nos venderam muitas mentiras. "Nossa democracia" é a maior de todas?

Notas Finais

Artigo: https://www.conservativewoman.co.uk/skewering-liberalism-an-intriguing-voice-from-the-past/