Neocameralismo para ancaps – cyborg_nomade
David Friedman propõe, em seu clássico As Engrenagens da Liberdade, um mundo de agências de proteção, em contratos entre si, a fim de substituir nações-estados. A única diferença para o Patchwork de Moldbug é a territorialidade. Moldbug descarta imediatamente a viabilidade de agências de proteção competindo sobre um mesmo território (como o bom Hobbesiano que ele é), e então territorializa as agências de Friedman em corporações semelhantes a um estado Weberiano.
As corpsob não-territoriais são, e então o anarco-capitalismo em si, viáveis? Vamos começar com o modelo do Moldbug e fazer apenas algumas prováveis transformações, e ver se o resultado final parece algo que um ancap gostaria mais que o Patchwork.
A primeira transformação é para uma corpsob permitir tribunais privados em seu território. Embora ela ainda seja a única responsável por qualquer aplicação em seus territórios, não há motivos para todos os procedimentos judicias precisarem ser realizados pelo soberano. Alguém pode apelar a soberania, mas não é necessário fazer nada. Além disso, tribunais privados permitem uma despesa a menos e uma fonte a mais de lucros.
O funcionamento de tribunais privados envolveria agências de segurança, podendo começar vendendo apólices de seguro que incluem a adjudicação específica em caso de certos crimes ou outros riscos cobertos.
A próxima etapa é um pouco mais radical, mas igualmente viável. A corpsob se abstém de impor contratos ou leis (agora privados) dentro de seu território, permitindo que agências de segurança entrem livremente no mercado. É um movimento ousado, mas se tiver poder militar o suficiente para continuar soberana num mundo largamente hostil, ela pode certamente conter alguns exércitos privados. Ela pode demandar por algum tipo de regulação, restringindo o poder militar das agências de proteção até o ponto em que ela pode conter. Apelações finais ainda são possíveis, e conflitos entre agências de proteção ainda são mediados pela corpsob.
Outro jeito de pensar sobre isso seria imaginar um feudalismo virtual, no qual agências de proteção são os estados, enquanto a corpsob é o governo federal. Essencialmente, a corpsob tem as mesmas funções que a Constituição originalmente previu para o govfed: relações externas, proteções de força externas, adjudicação de conflitos entre estados membros.
A etapa final é bem menos ousada que a segunda, porém mais importante. Agora, as agências de proteção se tornam todas as acionistas da corpsob. O que torna a corpsob um contrato constitucional entre as agências de proteção. Pelo relato de Friedman ou Long, isto é anarco-capitalismo propriamente: agências de proteção não-territoriais em contrato umas com as outras, substituindo nações-estados.
O fim de todo esse raciocínio é: os ancaps têm bons motivos para se casar com o neocameralismo, já que ele está a apenas três passos viáveis do ancapismo. Como chegar ao neocameralismo? Todo o poder aos pilotos.
Notas Finais:
Artigo: https://antinomiaimediata.wordpress.com/2017/03/01/neocameralism-for-ancaps/