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Paleolibertar­ianismo de esquerda – Chris Shaw

Enquanto minhas visões econômicas me colocam na trajetória do libertarianismo de esquerda, com minha crença maior em propriedades mais amplas, distribuídas e o retorno para associações de ajuda mútua e voluntárias, até mesmo estruturas democráticas, eu sempre mantive um conservadorismo cultural em minha perspectiva, vindo das ideias de Edmund Burke e Russell Kirk. Combinando os dois, chego em uma ideia de Paleolibertarianismo de esquerda, rejeitando a libertinagem cultural de elementos da esquerda libertária e apoiando estruturas pastorais, patriarcais que são voluntárias e descentralizadas. Eu respeito a multiplicidade de diferentes comunidades e respectivas tradições que existem, desejando suas existências conservadas, e não tendo nenhum problema inerente com hierarquia desde que a reciprocidade seja mantida.

De acordo com os Nacionais-Anarquistas, eu vejo um mundo consistindo de múltiplas tribos, que contém grupos internos e externos e muitas formas diferentes de organização política e econômica. Cultura e relações estabelecidas são importantes, assim como os costumes voluntários e instituições legais de base, como aquelas da Inglaterra feudal.1 Tradição, e sua preservação entre gerações, deve ser uma das práticas primordiais das comunidades e nações individuais (não estado-nações2). Criar pequenos pelotões de cultura e tradição mantidas que atuem como um espaço discursivo de resistência contra as forças do império. Mais, eu não me limito tais constructos para comunidades ocidentais homogêneas. Comunidades homossexuais e minorias deveriam ser capazes de construir seus próprios grupos internos, muito parecido como a Nação do Islã fez em Chicago e os Panteras Negras fizeram nos anos 60 e 70. A globalização e o capitalismo moderno agem como o inimigo dessa concepção, comercializando relações sociais e alegremente internacionalizando capital e riqueza enquanto destrói solidariedade e trabalho sob sua bota. É aqui que a esquerda e a direita devem se unir, criando novas alternativas econômicas que combatem a dominação do discurso capitalista, como eu discuti anteriormente3.

Como outros Paleolibertários, imigração é algo que eu rejeitaria como criadora de resultados desiguais, desnecessariamente prejudicando a classe trabalhadora e média-baixa e limitando suas culturas e subsidiariedade em grupos internos. Muitas das imigrações em massa modernas foram influenciadas pelos interesses do capital, destruindo as tradições comunais dos emigrantes e as redes solidárias de populações estabelecidas. O capital comunitário que criou instituições como ajuda mútua e associações mutualistas (que foram infelizmente expropriadas pelo estado na Inglaterra pelas reformas de Beveridge) é destruído quando imigração pode agir como um carona nessas instituições. A combinação da social-democracia (parcialmente privatizada nos anos 90) e neoliberalismo que permeiam a era moderna levaram os gastos do estado inflado sustentar tanto a economia de escalas corporativa quanto o estado de bem-estar social e guerra. Comunidades tradicionais da classe trabalhadora, bastiões do conservadorismo cultural e da economia solidária, foram destruídas por essa combinação, que propositadamente destruíram instituições tradicionais via privatizações falsas e crenças dogmáticas na globalização. Qualquer tipo de controle ou ordem nessas comunidades acabaria sob um tipo de Reagan ou Thatcher, liberais desprezíveis mais interessados na construção de sociedades de mercados centralizadoras do que a melhora dos presentes de nossos ancestrais.

Indo para os elementos esquerdistas do Paleolibertarianismo, eu acredito que criar alternativas econômicas significa descentralização econômica, criar comunidades autônomas onde mercados e outras instituições são incorporadas na cultura ao invés da sociedade ser feita em torno do mercado. Muitos paleoconservadores acreditam em formas de nacionalismo econômico, mas eu acho que a lógica real do mercado não necessita depender de tal protecionismo. O mecanismo mercadológico, quando libertado do nexo corporativo-estatal, naturalmente descentraliza, movendo para baixo ao nível das comunidades locais para muitas necessidades, e movendo-se longe do industrialismo da produção de massa, ao invés disso favorecendo controle comunitário e a mistura de tecnologia com estilos de vidas mais agrários, localistas. Tais sistemas beneficiam o culturalismo Paleolibertário. A imigração em massa só pode existir na economia de escalas que o neoliberalismo depende para existir. Formas naturais de governo, tais como monarquias feudais, sistemas sociais de clãs e multi-famílias, e democracia diretas com tomada de decisão descentralizada (via júris e conselho municipal), podem ser desenvolvidas, com hierarquias sociais crescendo com cada comunidade individual de maneiras variadas. Tal culturalismo rejeita a artificialidade da hierarquia econômica, que separa consumo da produção e propriedade do controle. Em um genuína economia de mercado moldada por diferentes políticas identitárias e culturais, essa artificialidade é facilmente superada pelas alternativas distributivistas e descentralistas, como propriedade dos trabalhadores, o controle da terra baseado em bens comuns, diferentes sistemas de propriedade privada, e economias locais, com produção para a economia direta ao invés da produção em massa para o mercado internacional.

As ideias que eu expôs estão sendo vistas pela nascente direita alternativa (alt-right), que contém ideologias como culturalismo pastoral e socialismo de direita. Há uma aceitação das múltiplas identidades que podem desenvolver sua própria comunidade e modos de vida. Etnocentrismo e nacionalismo não estão limitados aos brancos ocidentais no mundo da direita alternativa. Ao invés disso, o falso dogma do multiculturalismo, que levou a exclusão e inclusão forçada4, precisa ser repelido. O relógio da social-democracia precisa voltar. E nessa volta, conceitualizar a esquerda Paleolibertária significa olhar de volta para o tradicionalismo radical da classe trabalhadora e camponesa, que na Revolta Camponesa de 1381, os trabalhadores tomaram Ghent nos anos 13005, as rebeliões e motins durante a era Tudoriana6 e o desenvolvimento da moral econômica7, mostram um desejo por descentralização econômica, rejeitando o ‘livre-comércio’ e taxação para guerra arbitrárias, e a crença em costumes tradicionais e common law, onde hierarquias sociais existem mas são temperadas pela reciprocidade voluntária. Essa história radical deve continuar, enquanto a esquerda e a direita se unem contra o império globalizado, rejeitando o status quo neoliberal e criando diferentes alternativas para a variedade de tribos e identidades que existem. Esmague o estado, e esmague a social-democracia com isso.

Notas Finais

Artigo: https://thelibertarianideal.com/2016/05/04/left-wing-paleolibertarianism/

  1. Riot, Rebellion and Popular Politics in Early Modern England, 2002

  2. Rothbard, M. Nações por Consentimento, 1994

  3. https://thelibertarianideal.com/2016/05/02/family-and-the-community/

  4. Hoppe, H.H. Sobre o Livre Comércio e a Imigração Restrita, 1998

  5. Federici, S. Caliban and the Witch, 2004

  6. Wood, A. Riot, Rebellion and Popular Politics in Early Modern England, 2002

  7. Thompson, E.P. The Moral Economy of the English Crowd in the Eighteenth Century, 1971