Sobre os mutualistas – Gustave de Molinari
Chegamos ao terceiro grupo, o dos mutualistas, compostos principalmente pelos velhos discípulos e admiradores de Proudhon: Langlois, Longuet, Tolain, etc. Eles são os Girondinos do socialismo de 1869. Eles rejeitam, M. Langlois especificamente, uma transformação violenta da sociedade. Eles não são da opinião de M. Ducasse, gritando para a reunião de Chapelle: “Não é com ouro, é com ferro que questões serão resolvidas.” Eles querem desamarrar o nó górdio1, e não cortá-lo. Contudo, se eles são contrários ao uso de ferro, eles também desconfiam do ouro. Eles preferem papel. O pivô de seus sistemas é um banco, mas que banco? A de [John] Law não era nada em comparação.
O banco de crédito mútuo começará pela tirada de circulação da moeda em espécie [numéraire]2, este tirano da circulação. Dinheiro em espécie tirado de circulação, não haveria mais juros, pois seria visivelmente abusivo fazer alguém pagar juros por simples pedaços de papel manchado, que uma prensa Marinoni pode fornecer a uma taxa de dez mil por hora, em todas as denominações. Mas se papel tomar o lugar do dinheiro em espécie, e se papel é emprestado gratuitamente, se alguém pode comprar ferramentas, casas e terras com esse maravilhoso meio de circulação que não custaria nada, é claro que nós teremos o prazer de dispensar o pagamento de aluguel para obter a simples posse de uma ferramenta, uma casa ou um lote de terra.
"Quando alguém não tem nada para pagar seu aluguel", disse Mr. Vautour, "é necessário ter uma casa própria." Bem, alguém teria uma casa própria e não se importaria com Mr. Vautor; e se alguém ainda consente em pagar seu aluguel àquele odioso proprietário, seria sob a condição de adquirir uma parte do que ele tem o prazer de chamar de sua propriedade. Para pagar o aluguel, que não seria mais para “alugar”, mas para “comprar.” Você paga, eu suponho, milhares de reais [francs] de aluguel. Bem, no final de 8 anos, você só terá que produzir seus oitenta recibos em sequência para se tornar proprietário de seu alojamento. Mas o que será de Mr. Vautour, se ele tem o infortúnio de ter pontuais e fieis inquilinos? É claro que no fim de oito anos Mr. Vautour não será mais um proprietário. Seu único recurso é se tornar um morador sozinho, que irá garantir a ele, no final de oito anos, se tornar proprietário de novo. Isto é o mutualismo!
Nós não sabemos se o sistema será provavelmente ajudará os edifícios comerciais, mas nós imploramos aos nossos leitores para acreditar que não exageramos nada, e que o mutualismo orgulha-se de tirar de acabar com o aluguel de casas e o aluguel de terras tão facilmente quanto os juros do dinheiro. Aqui é, no entanto, a singularidade que, se não incompreensível, é pelo menos não explicada, nesse engenhoso sistema: é que o Banco que daria empréstimo gratuito a todos não poderia continuar sem um monopólio. Seria absolutamente impossível.
Como alguém que ficou surpreso com isso uma noite na reunião no Redoute3, o Mr. Langlois estava muito nervoso, e afirmou que os economistas fariam a espécie humana retornar ao estado selvagem. – O estado, esbravejam os mutualistas, como da polícia e do transporte de cartas, da venda de pólvora e tabaco; por que não exerceria o monopólio bancário? – Okay! Mas o estado não protege seus cidadãos de graça, não transporta as cartas de graça, não fornece pólvora e tabaco de graça.
Suponhamos que foi do agrado do estado, por exemplo, dar ao povo francês “gratuidade de tabaco”, pois é sempre questão de dar-lhes educação gratuita e muitas outras gratificações, ainda seria necessário manter o monopólio do controle estatal? Veríamos a aberturas de muitas “tabacarias pagas” em competição com “tabacarias de graça”? Finalmente, seria esta competição seria tão nociva ao ponto de impedir que o sistema o benéfico sistema de tabaco livre se estabelecesse na França?
Como então um banco livre poderia ser estabelecido exceto sob a condição de ser rigorosamente protegido contra os brancos que cobram juros e protegido com um monopólio sobre a circulação? É isso que o Mr. Langlois deixou de nos explicar. Em todo o caso, a gratuidade do capital em todas as suas formas sendo estabelecida, graças à intervenção do Banco de Crédito Mútuo (em 1848, era conhecido pelo nome de Banco de Câmbio), o trabalho sozinho obteria uma remuneração, e o trabalhador, não tendo mais nenhum tributo para pagar àquele tirano, agora destronado, desfruta de seu produto integral. Como seus produtos são trocados? Em virtude dos princípios de “troca igual” e da “equivalência de funções.” Nesse ponto, o mutualismo não se assemelha estranhamente ao comunismo? É por isso que, apesar de suas divergências – mais aparentes do que reais – mutualistas e comunistas não deixam de ser unir contra seus inimigos comuns, os economistas.
Notas Finais:
Artigo: http://www.ozarkia.net/bill/anarchism/library/MolinariMutualism.html
Nó górdio: É comumente usada como metáfora de um problema insolúvel (desatando um nó impossível) resolvido facilmente por ardil astuto ou por uma quebra de paradigma.↩
Numerário: Qualquer moeda que tenha validade legal; moeda cunhada; dinheiro.↩
La Redoute é uma varejista multinacional francesa fundada por Joseph Pollet em 1837.↩